Raphael Fays é um dos poucos músicos de sucesso com a capacidade de tocar Flamenco e Gypsy Jazz a um nível de classe mundial. Aqui está um verdadeiro cavalheiro, dedicado aos mestres que o precederam, e um ser humano de coração. Obrigado pelas tuas palavras, Raphael!
1 - O que é que te influenciou e inspirou a começar a tocar música?
O meu pai foi a minha maior inspiração porque tocava guitarra muito bem. Foi solista e um excelente acompanhante do Quinteto Django do Hot Club de França com Stephane Grappelli.
2 - O que o motivou a continuar a praticar?
A minha motivação era a música jazz de Django, mas também a guitarra clássica e o seu repertório. Depois tornei-me compositor de obras clássicas para guitarra e flamenco. Sou muito apaixonado pelo Flamenco, claro, por causa de Paco de Lucia.
3 - Quais foram os maiores desafios que enfrentou para progredir na sua prática, performance e carreira musical?
O facto de ser extremamente teimoso ajudou-me muito, mas também a paixão que tinha pela guitarra e pela música em geral. Sempre ouvi a minha própria música e nunca me arrependi do meu desempenho na guitarra.
Até hoje, superei muitos desafios. Ao longo do caminho, há sempre críticas positivas ou negativas, e temos de lidar com isso. Mas o mais importante são todas as pessoas que se levantam para me aplaudir no final de cada concerto. Depois, há os que só falam de música e os que tocam música de facto.
4 - Lembras-te do teu processo de prática quando começaste a tocar? Quanto é que mudou ao longo dos anos?
Sempre trabalhei entre 3 e 6 horas de prática diária de guitarra. Hoje em dia, é um pouco mais calmo, e às vezes só toco durante 2 ou 3 horas. Com o passar dos anos, começámos a deixar o foco na técnica fluir para mais pensamentos sobre música e composições.
5 - Como é um dia normal na sua vida?
Levanto-me, tomo uma chávena de café, ouço música, depois toco durante uma ou duas horas e trabalho em novas canções.
6 - Como é que equilibra o trabalho e o descanso?
Depois de longos períodos de trabalho, sinto a necessidade de me afastar. Vivo na floresta e adoro. Permite-me mudar de ideias. A natureza foi feita para isso. É super fantástica!
7 - Qual é o teu estilo de música e músicos preferidos?
Oiço muito flamenco, Paco de Lucia, sem dúvida, mas também gosto de ouvir Vicente Amigo, a sua forma de tocar, como respira e o que faz em termos rítmicos.
8 - Medita ou pratica alguma atividade relacionada?
Eu tenho fé. Acredito... (pausa longa) Acho que para fazer este trabalho é preciso ter muita fé. É um trabalho difícil, com muitos ciúmes competitivos. Por isso, até fazemos inimigos, claro, sem querer. Devemos, portanto, ignorar tudo isso e viver a nossa própria vida.
9 - Qual considera ser o conselho ou citação mais impactante que recebeu na sua vida?
Certamente eu citaria Segovia quando ele disse: “Quanto mais escrevo, mais apago; e quanto mais apago, mais escrevo”.”
10 - Por que é que gostaria de ser reconhecido? Qual é o aspeto mais importante do seu percurso de vida que gostaria que as pessoas recordassem?
Penso claramente que todos nós gostaríamos de ser reconhecidos pelo trabalho que realizamos ao longo da nossa vida. O que eu gostaria que as pessoas recordassem é a sinceridade e a determinação que sempre revelei no mundo da música, pois vim à Terra para tocar e ouvir a minha guitarra. Esta é a minha principal missão.
11 - O que diria ao Django se tivesse a oportunidade de o conhecer?
Teria de dizer “Obrigado” - um grande obrigado a este génio chamado Django. Ele foi muito importante na minha infância e na minha vida.
12 - A que tipo de música se referiria numa conversa sobre Django?
Como fiquei muito afetado pela morte de Paco de Lucia, outro grande génio da guitarra, teria de referir a sua música. Penso que Django teria gostado de o ouvir tocar.
O que é extraordinário na guitarra é a cultura global que gerou. Todas estas belas cores da América do Sul, Espanha, Jazz, etc., tudo isto tocado com apenas seis cordas. A guitarra não é apenas um instrumento, é uma linguagem universal que nos faz reunir à volta de uma fogueira numa bela noite estrelada.
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